4 de julho de 2011

O ciclo vicioso


o meu corpo toma a proporção não desejada quando o diafragma se envolve nos piques dos meus ataques de ansiedade. eu suo e a seguir congelo. fico sem ver, sem me mexer, sem conseguir soletrar nada que tome sentido algum. existem apenas pequenas luzes, que perfuram a alma a tentar fazerem-me dançar mas cedo se apagam. o vento corta-me os lábios e as minhas mãos estão já roxas. até que me diriges a primeira palavra, depois o primeiro passeio e depois um beijo com medo mas seguro. vamos e voltamos vezes sem conta ao céu. ao nosso. puro. a vida respira felicidade por todos os poros, não há sinais de impureza sentimental, ou de factos contra factos. corre tudo como se um sonho fosse. nas nossas mãos. um sonho moldado e recriado vezes sem conta por nós e pela nossa mente. um dia chegas a casa e o meu sorriso não te consome nem chega a ser necessário. o bom dia não existe. assim como a presença incondicional. deixa tudo de ser verdade, para passar a ser real. e o meu corpo volta a tomar a proporção não desejada, tanto quanto dê para me sufocar fechada em quatro paredes sem janelas. os pássaros perdem as asas, e eu perco o nosso tal céu. deixo-me rendida no abismo total.. deixo-me morrer à espera de quem me faça ressuscitar de novo. deixo-me no álcool, deixo-me na droga, deixo-me no cansaço e deixo-me em mim:podre. fria. terrível e cega. deixo-me e não sei de mais nada. de mim. ou de ninguém. fica a frase a ecoar dentro da cabeça "para sempre"- dito pela cara mais teatral que pude conhecer. fazemos um filme e somos a plateia, batemos palmas e morremos naquela cadeira. sozinha. morri sozinha dentro de mim.

O ciclo vicioso, diário do abismo

17 comentários:

carina, disse...

omg está tão lindo

♥ marta. disse...

sem palavras lui, sem palavras :l

carina, disse...

fico contente por ver que gostaste:)

ivone silva. disse...

uau mil vezes

joana disse...

ohhhh. ainda bem que o leste e ainda bem que te reveste. continua então a descobrir-me nas minhas palavras,porque as minhas palavras descrevem-me.

Rute Maia disse...

escreves de uma forma tão singular ** juro, adoro ler-te!

RuteRita disse...

A-D-O-R-O !

raquel disse...

pareceu-me que não, era só para ter a certeza. pois, às vezes sinto-me assim. sem sentido. mas dor tenho, muita, infelizmente.
gostei muito*

ines disse...

estas bem?

RuteRita disse...

e eu (;

Rute Maia disse...

depende da entrega que se deposita (:

ines disse...

neste caso, ainda bem que não "és tu" neste texto luisinha

raquel disse...

é mesmo? :/

ana moura disse...

sim,acho que sim. também não tenho tido muito tempo devido ao voluntariado! luisinha linda, que texto inspirador

ana moura disse...

eu estou bem doçura, há sempre algo para nos agarrar-mos!

Algo Estranho... Alguém Diferente! disse...

um dos textos mais lindos que li em toda a minha vida!

joana disse...

dos melhores textos daqui