5 de setembro de 2011
Repousa. Entra por essa porta e reconforta-te nos meus mais doces aposentos. Dou-te o melhor de mim, já que só o consigo contigo perto a olhar pelos meus erros e a segurar-me as quedas quando, que nem anjo louco, deixo as asas doridas tão gastas de voar sem Norte. Por isso, olha-me como a tua casa. Sou-te tudo. Pára aqui os teus passos. Nem toda a luz que nos dá a conhecer caminhos nos mostra os correctos. Mas eu conheci-te. Aliás, eu não te conheci a ti a quem todos te mostram sorrisos. Conheci quem me deste a viajar, algures pelo teu mais profundo retrato onde a harmonia mora, porque me mostraste que existe. Porque ficaste tantas vezes, quando o destino nos mostrava o desencontro como a melhor forma de vivermos. E assim o seria, se não fosse um absurdo do tamanho da nossa distância mantermo-nos longe de quem queremos perto. Nem que seja perto do tamanho da nossa saudade. Porque nunca iria ser fria, nunca iria ser demais. Nunca é demais a saudade que me fazes. Aprendo a morrer com ela e a continuar a viver com a força da memória. Tu estás aqui. Não és um estranho nem só um conhecido. Não és o sonho nem a realidade. És uma carta que os ventos todos os dias me trazem, em letras nem sempre quentes mas sempre reconfortantes. Porque de ti nada seria mau. Nada seria triste, nem nada me faria querer parar de viver-te. Tão cheio de lições de moral, tão cheio de requinte, tão cheio de surpresa, tão cheio de vida. Gostava que ainda estivesses cheio de mim. Não cheio de farto mas sim cheio de preenchido. Porque o teu sorriso continua a tapar me todos os pedaços vazios, em dias como o de hoje onde não há raio de sol que me abrace a alma. Meu mistério, continuo com portas abertas para ti. Teu abrigo, Claire
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